21.2.10

Avatar x A Princesa Mononoke

"Morram caras-pálidas!"

Se o Equivocando fosse um programa de televisão, certamente seria o Video Show, pela mania de auto-referência. Nesse caso, Sardaukar seria naturalmente o nosso Miguel Falabella .

            
Já temos duas críticas muito boas sobre o Avatar aqui e aqui. Sarda Falabella também já escreveu sobre A Princesa Monoke aqui, num post que merece ser relido, pois cai na prova do Instituto Rio Branco.

Vou tentar agora não botar mais um graveto na fogueira monumental de críticas já feitas até então ao filme Avatar. É chover no molhado elogiar a forma e detonar o conteúdo desse filme, mas acho que há sempre uma maneira de detonar um pouquinho mais. Estamos aqui para isso.

Será que vou conseguir? Provavelmente não. Mas o que você tem a perder, além das suas pregas, se continuar lendo?



Tem passarinhos que engolem uns grãos, voltam ao ninho e regurgitam o alimento parcialmente digerido no bico dos seus filhotes, que ainda são incapazes de triturar adequadamente o alimento. Isso entre humanos, além de nojento, pode ser bem perigoso. Lembrem-se do segundo baterista do Spinal Tap que morreu asfixiado com vômito... na realidade, vômito de outra pessoa. But I digress, my friends. O que eu quero dizer é que me senti como um filhote de passarinho ao assistir Avatar de James “Piranhas 2” Cameron.  “Como assim, professor? Explique melhor!

Não está entendendo nada, seu monstro? É precisamente disso que estou falando. Veja só: cada um de nós, bípedes sem penas, desenvolve ao longo da vida e junto com a linguagem, a capacidade de simbolizar. Uns de maneira extremamente habilidosa e requintada, como este seu criado, Sardaukar e Campello – a maior reunião de gênios desde o Projeto Manhattan. Outros simbolizam de modo normal,  meião, talvez como você, querido leitor. E há ainda os que simplesmente são incapazes de utilizar essa ferramenta avançada do Windows mental. Estes ultimos são os que acham o roteiro de Avatar realmente bárbaro.

Kastor, Campello, Sardaukar e Cascatinha


A idéia por trás da metáfora dos passarinhos é que Avatar não deixa espaço para que o espectador não-oligofrênico pense, que consiga digerir por conta própria o que lhe é oferecido. Tome como exemplo o manjado conflito Homem vs. Natureza que aparece simbolizado no filme de Cameron de maneira precária e simplória , levando o espectador sempre a conclusões convencionais e irredutíveis do tipo: civilização = mal e vida selvagem (natureza) = bem. Perceba que gente como Cameron e S. Spielberg só fazem filmes assim, como quem dá comidinha na boca do nenem.  E por “nenem” eu me refiro a você, espectador de cinema mediano que roda o windows 3.11 no côco. 

Pã! [sinal sonoro de erro]

No universo criado por Cameron em Avatar não há espaço para sentimentos e ações parciais ou imperfeitos. É tudo pão, pão, queijo, queijo. Há apenas o totalmente mau ou o totalmente bom. No máximo, há aquele sujeito mau que eventualmente se tornará bom ao longo da história. Mas não apenas bom; ele deve virar um Mártir da causa do Bem (como aquela piloto de helicóptero gostosa). James Cameron não conhece o pão de queijo.

Gosta de anime, leitor? Nem eu, mas gosto de pão de queijo.

A Princesa Mononoke (1998) é um longa-metragem de animação (um anime) de Hayao Miyazaki que trata também do conflito imemorial entre a natureza e o homem.  O que o diferencia de Avatar? Tudo.

Primeiro, o conflito principal é apresentado de maneira sutil e “espaçosa”, isto é, dá ao espectador a chance de refletir sobre o dilema que se impõe gradativamente ao longo da trama. Os personagens da animação japonesa não podem ser divididos em dois conjuntos inequívocos e antagônicos (homens/animais, bem/mal, corretos/equivocados) pois as motivações mudam ao longo do tempo, quase como na vida real.  Destarte (essa é pra você, Sardinha), não é possível definir uma linha clara de divisão entre os personagens, como nas novelas da Globo.  Sacou, Odete Roitman?

Não há tempo ou espaço determinados para os eventos retratados em A Princesa Mononoke. Isso deixa a imaginação mais à vontade pra “encaixar” a trama onde bem entender: seja na crise econômica atual, seja no início da revolução industrial. Outra coisa interessante é que os símbolos e alegorias utilizados com abundância, a maioria estranhos a nós ocidentais, dão um colorido esquisitíssimo - no bom sentido - à narrativa. Há ainda questões relacionadas aos gêneros, ao preconceito e a outros grandes conflitos universais que você só vai descobrir assistindo. Ou não.

Em resumo, A Princesa Mononoke é um filme  (como A Viagem de Chihiro, do mesmo diretor) que tende a agradar a quem gosta da sentir estranhamento diante da tela. E há animais gigantes também, só que sem as cores fluorescentes.

"My brain hurts!"


Querido leitor, agora me responda com sinceridade: você acha que cinema só é diversão se não fizer pensar? Botar a cabeça pra rodar o Linux dá caflito? Refletir dói muito?

Se respondeu “sim”a qualquer das questões, Rubens Ewald Filho é o cara que você precisa ler. Agora, xô! 


****


Agora minha lista de palpites óbvios para o futuro de Avatar:

  • A tentativa de manutenção de uma mega-franquia do tipo Star Wars, com produtos que vão desde miniaturas e videogames  até anal plugs azuis com a marca Avatar;
  • Filmes, séries e livros sobre o futuro e o passado do planeta Pandora, explorando os outros tipos de criatura e as outras tribos, que servirão para mais brinquedos da franquia;
  • Em um dos filmes da série, os humanos tentarão destruir o povo azul infiltrando um vírus através da USB biológica;
  • Uma área desértica no planeta será revelada;
  • Em outro filme, os azuis vêm ao nosso planeta e a ação se passará na terra (alô, Planeta dos Macacos!);
  • Aqueles satélites ao redor do planeta serão envolvidos de alguma forma na narrativa;
  • Surgirá ou surgiu no passado algum grande traidor na tribo dos azuis;
  • O passado como marine de Jake Sully e a relação com o seu irmão serão abordados de maneira bem dramática, provavelmente no próximo filme. Não estranharia se o soldado descobrisse que ELE é o próprio irmão (como? sei lá!);
  • A descoberta de uma relação bem antiga entre humanos e azuis na nossa pré-história;
  • No próximo filme Sardaukar participará com consultor técnico e coreógrafo das danças tribais.
Estou registrando esses palpites em cartório hoje. Se o James Cameron usar algum deles, vai ter de me pagar.

2 comentários:

  1. My Brain Hurts!!! :)
    Hhehehe!!!
    Mandou bem, S. Kastor!
    Vamos implodir a indústria do cinema e deixa o Campello sem diversão! :)

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  2. Pode ser que também descubram uma tribo de verdes que se aliaria aos terráqueos contra os azuis. :)

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