30.5.10

O maldito United!

No cinema, o país do futebol não é o Brasil. Temos grandes filmes sobre futebol, mas geralmente são documentários, feito "todos os corações do mundo", "pelé eterno", "garrincha, alegria do povo"...

Na ficção, "Boleiros" não é lá estas coisas, fala de um universo bem limitado, muito voltado para São Paulo, com histórias de ex-jogadores sendo trocados em um bar. Não é ruim, mas não é nada que se indique. "Boleiros 2", melhor nem citar, só não vou apagar porque estou com preguiça!

E existem aqueles filmes que passam perifericamente pelo mundinho da bola, feito o "Linha de Passe", do Walter Salles, que é um bom filme, e capta muito bem um dos dramas do futebol: o do jovem jogador em busca de um lugar ao sol. Mas é pouco.

Então, voltando, os bons filmes de Futebol, ou sobre o Futebol, são ingleses.


28.5.10

Juventude em Revolta!

E lá vem outro filme do Michael Cera.

Na série "Arrested Development", ele interpretava o neto, idiota, adolescente, punheteiro.

Em "Superbad", ele interpretou o nerd, idiota, adolescente, punheteiro.

Em "Juno", ele fez o punheteiro, adolescente, nerd, idiota e futuro pai.

Em "Year One", ele era o adolescente, idiota, punheteiro e sidekick.

Em "Nick & Norah: the infinite playlist", ele atuou como o nerd, idiota, adolescente, bonzinho.

Eu já não aguento os filmes do Michael Cera.

Porque ele só faz filme sendo Michael Cera.

Então, nem queria ter visto "youth in revolt", porque sabia que ia ser a mesma coisa.

Sei lá o motivo, baixei o filme e, pior, comecei a vê-lo. Mesmo sabendo que era o Michael Cera.


27.5.10

Escolha suas Respostas para LOST (versão em inglês)

Divertido o que este cara fez, vale dar uma olhadinha, pelo espírito esportivo, galera :)


http://www.chooseyourownlost.com/


Beijundas!

25.5.10

Os roteiristas de Lost ficaram meio perdidos :)

Ontem a noite, após 6 anos de devoção (às vezes fiel, às vezes cambaleante), eu vi o fim de LOST.

Mas não se preocupem, não vou contar o que aconteceu... até porque, praticamente NADA aconteceu!

Quando tudo acabou, eu fiquei bastante emocionado. Não porque tenha sido FODA, mas ver todos aqueles personagens que acompanhei por tanto tempo (durou mais do que o meu casamento!) indo embora, me deixou triste!

Pesei tudo, alhos e bugalhos, túlios e entulhos, flas e flus, e veio à minha mente a seguinte cena:

23.5.10

Homem de Ferro 2

E lá fui eu ao cinema, com uma amiga. Ela queria ver um filme leve, uma comédia. Eu não queria ver nada além dos olhos dela... então, se ela quisesse ver "os normais 4", eu topava!!!!

Mas tava tudo cheio, sabecomoé, domingão, começo da noite, todo mundo no shopping!

A única sessão dentro da janela que queríamos era Homem de Ferro 2, o que, para mim, não era sacrifício mas, para ela, ficava um pouco fora de sintonia!

O que importava mesmo era a companhia, então, lá fomos, ela cheia de pipoca, refrigerante; eu cheio de intenções e mãos-bobas!

O filme começou e a minha amiga até que se empolgou, embora seja da galerinha que curte truffaut-wenders-gitai...

Homem de Ferro 2 tem dois inimigos, dois amigos, dois vingadores, dois pais, dois momentos, duas armaduras, (mais de) duas horas, duas vezes a tensão, duas vezes a quantidade de efeitos especiais, dois geradores, menção a dois outros filmes, duas mulheres gatíssimas...

21.5.10

Alice (de Tim Burton)

Ok. Temos um filme badalado pra cacete. Relançaram 237 versões de "alice no país das maravilhas", 189 versões de "alice através do espelho", com todas as variações possíveis: pra criança, pra velho, pra emo, pra ema, pra pato, pra ganso, pra neymar... virou um "evento" mundial (que foi acompanhado e ressoado pelo meu termômetro de viadices, manezices e cultura pop: Zeca Camargo, aqui e aqui).

Eu não me entusiasmei. Explico: Tim Burton... não me interessa tanto assim.

Mas tudo bem, a história de Alice é legal por si só, então, valeria a pena ver o filme.

Só que a josta estreou, e todo mundo que via chegava para mim e dizia: "é, não é lá estas coisas", ou "não é a história original", ou "não é muito bom"... mas todos concordavam no seguinte: o 3D é legal!

Aí pensei: "porra, vou me tacar pro cinema, SOZINHO, sem estar pegando NINGUEM, gastando R$ 20,00 de ingresso, mais uns R$ 10,00 de pipoca/refri/halls, mais o táxi da volta, PARA VER 3D?!?!?!


19.5.10

W.

Tipo do filme que eu já havia esquecido que existia, "W.", a produção bancada pelo diretor Oliver Stone que, em tese, iria demolir a figura de George W. Bush, só voltou aos meus pensamentos porque eu estava lendo uma matéria sobre Cannes, a qual contava a reviravolta na carreira de Josh Brolin.

E quem é Josh Brolin? Apenas o irmão mais velho em "Os Goonies"... nada além disto. Esquecido durante anos, Brolin aparecia em filmes meia-boca, feito "hollow man" e outras produçõesinhas para a tv. Até que os irmãos Coen o colocaram como o protagonista de "Onde os fracos não têm vez", e o cara mandou muito bem.

Daí foi um pulo para "Milk", onde obteve uma indicação ao Oscar, como ator coadjuvante, e "W.", que é do que eu estou falando!

"W." é a tentativa de retratar a vida e a obra de George Walker Bush, o ex-presidente dos EUA, feita por um diretor reconhecidamente "polêmico", vide filmes como Platoon, JFK, Natural Born Killers e, mais recentemente, "El Commandante" (sobre Fidel) e "South of the Border" (sobre a realidade, os governantes, que vivem ao sul da fronteira dos Estados Unidos).

O filme não é um documentário, há uma construção do roteiro baseada em um formato de ficção, isto é, existe um começo, um meio e um fim que são amparados em "drama", não tendo um total comprometimento com a verdade (qualquer que ela seja).



14.5.10

The Perry Bible Fellowship

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PBF217-Magic_Eyesclique para ampliar

Para quem gosta de quadrinhos, principalmente tirinhas, esta série, de Nicholas Gurewitch, é conhecida por The Perry Bible Fellowship e, enquanto tinha novidades, era minha parada obrigatória todos os domingos.

O link para a série completa.

Para quem quiser gastar uma grana, o livro na Amazon (US$ 16,47).

O pacote humilde independente (Atualizado)

Em mais uma tentativa de achar um joguinho legal para matar o tempo enquanto o download de Lost não se completa, esbarrei com uma iniciativa muito boa: The Humble Indie Bundle!

A idéia é simples, inclusive seu padrão básico já foi comentado neste blog há séculos, quando o Radiohead lançou o "In Rainbows", a empresa Wolfire, produtora independente de jogos legais-pra-cacete, feito o "world of goo", resolveu, em conjunto com outras produtoras independentesm, disponibilizar 5 de suas criações para download. Mas não é de graça!

O esquema é: pague o quanto você quiser!!!

Fazendo todo mundo de otário

A história é a seguinte, um tal de Kenny Strasser começou a aparecer em vários programas matutinos locais dos EUA e fazer palestras em escolas representando uma organização sem fins lucrativos chamada Zip Zap proclamando-se mestre na arte do ioiô.

Acontece que o cara era um canastrão dugarái, não sabia muita coisa de iô-iô e conseguiu enganar meio mundo de gente. Abaixo um vídeo mostrando sua espetacular habilidade com o brinquedo.

Particularmente, ri muito, principalmente no final, quando ele fica coçando o joelho. Sem mais delongas, o vídeo imperdível:


Ai ai… Nada como a internet…

Fonte.

Mais informações.

E uma reportagem completa sobre o louco aqui.

13.5.10

Chuta-Bundas!

Em 99,99% dos casos, eu já li a revista em quadrinhos antes de ver o filme. No caso de "Kick-Ass", eu apenas já havia ouvido falar, sabia do que se tratava, mas não tinha tido o interesse de ler. Os autores/criadores da revista, Mark Millar e John Romita Jr., são grandes expoentes do ramo.

Millar é um típico agitador escocês, adora chamar atenção, criar polêmicas, brigar com colegas em fóruns de discussão. Mas é também capaz de criar excelenets histórias, como sua passagem em "The Authority" não deixa mentir. Romita Jr. é filho de uma das lendas dos quadrinhos, John Romita, desenhista de fases clássicas do homem-aranha, demolidor e outros. A passagem do Romitinha em X-Men é considerada, até hoje, uma das melhores, além de ter outros trabalhos menos reconhecidos igualmente memoráveis, como Estigma (do Novo Universo).

Sim, mas, e Kick-Ass?

Baixei o filme, que, para mim, vem para capitalizar neste boom que os quadrinhos estão em Hollywood. Não estava esperando grande coisa, apenas um bom bocado de pancadaria.

Só existem 5 músicas de rock... (?)

No post sobre o filme "Educação", comentei que havia um crítico de rock americano que dizia só existirem 5 músicas de rock, todo o resto era apenas uma variação em torno delas (li isto em um box do R.E.M. que ganhei de presente, mas doei, por isto não consegui descobrir o nome do cara).

Fiquei por muito tempo com aquilo na cabeça, colhendo aqui e ali alguns exemplos para ilustrar o pensamento do cara. É claro que não são só 5, acho que são 14 :) Mas o número não vem ao caso neste post, quero demonstrar o ponto de vista do cara, através de dois blocos de 3 músicas que, para mim, são virtualmente idênticas...

Não são idênticas nos instrumentos, nem nas letras, nem nas bandas... mas têm a mesma levada, a mesma batida, o mesmo clima. Não creio que a questão seja plágio, de forma alguma, apenas que está no cerne da música pop a repetição, seja em refrões, seja em melodias colantes.

Meda, parte 4: A Vila (The Village)

The.Village

Calma, calma, calma. Antes do apedrejamento, vamos ler, ok?

Durante quase todo o filme, o clima é tenso, muito tenso. O nosso amigo indiano, o diretor Shyamalan (claro que não tenho decorado o nome dele, IMDB rulez), cria uma atmosfera muito interessante, o cara é muito competente em criar climas que, como já deve ter dado pra notar, é o que, pra mim, faz funcionar um filme de terror.

Mesmo a história não tendo sentido algum, mesmo que a aparição da coisa (quem não assistiu, assista pra saber o que é) não tenha razão de ser, a fusão entre aquela história infantil (ok, Little Red Cap) e as personagens de carne e osso, incluindo a cegueira total Ivy, ficou perfeito.

Possível spoiler a partir daqui: ok, o final não é tão legal, forçou um pouco a barra e acabou com o sonho e o clima do filme. Mas não tira o mérito da película, vale a pena assistir, sim.

Final por final, imagine cuspir num filme como A.I. só porque Spielberg fez aquela merda aos 46 do segundo tempo. Não seria justo.

12.5.10

Meda, parte 3: O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby)

Rosemarys.Baby

Esse é fodinha. Outro clássico do cinema e do horror. Por incrível que pareça, faz menos de um ano que tive o prazer de assistí-lo e me impressionei.

Filmes antigos já têm um climão, e quando há o (competente) dedo do diretor (Roman Polanski, o Michael Jackson da década de 70), o clima fica rigorosamente estabelecido. É o caso deste filme.

A história é a seguinte: um casal de recém casados, formado por um ator doido pra tirar o pé da lama e uma dona de casa (ei, calma, é 1968!), mudam-se para um prédio antigo. Lá encontram alguns vizinhos que, à primeira vista, são normais, mas com o passar do tempo começam a ficar estranhos. E o filme começa a ficar esquisito, muito esquisito. Claro que não vou contar nada.

Na verdade o filme tortura quem o assiste, mata na unha. E na medida que os acontecimentos vão chegando, o telespectador se afoga nas misérias do enredo. Completamente.

Outro filme que indico de olhos fechados. Detalhe na trilha sonora, que ficará na sua cabeça para o resto de sua maldita vida.

11.5.10

Crepúsculo

coisa linda da mamãe (17)[3]

Quem se empolga, acaba assim.

p.s.: achei sensacional esta foto.

Fonte.

Meda, parte 2: O Iluminado (The Shining)

The.Shining

Continuando a série… Esse é bem clássico e é outro filme complicado. Gostaria de informar que eu sou fã de Kubrick, o cara é foda. Tão foda que fez todo mundo acreditar que o homem foi à lua (mas isso é outra história).

A história é basicamente a seguinte: Jack está a fim de escrever um livro e arruma um emprego perfeito: zelador de um hotel. Acontece que este hotel fica fechado e isolado do mundo durante o inverno (neve, etc.). Ele vai com a família no intuito de escrever um livro, acontece que o hotel, obviamente, é malassombrado e a merda vira boné.

O filme vale ser assistido por diversos motivos, dentre os quais: conhecer os clássicos do cinema ocidental; tomar uma aula de fotografia (ou cinematografia, como queira), já que Kubrick tinha TOC e demorava meses até ficar mais ou menos satisfeito; ver belas atuações de Jack Nicholson, Shelley Duvall e do garoto Danny Lloyd (que, inclusive, só fez este filme); sentir-se mal durante a estada da família dentro daquele hotel maldito; etc.

Tem que assistir, não há desculpas.

10.5.10

Meda, parte 1: Uma Noite Alucinante (Evil Dead 2)

Evil.Dead.2

Podem me esculhambar à vontade, eu gosto desse filme. E quando o assisti, tive meda. Tudo bem que eu assisti quando tinha uns 12 anos e, por mais que eu risse, ria nervoso. Começo com ele esta série de 11 posts. Deus sabe se chegarei ao segundo.

Pra quem não conhece, esse filme é um clássico e está dentro de uma trilogia: Evil Dead, Evil Dead II e… não, nada de Evil Dead III: Army of Darkness. Os três do crazy fuck Sam Raimi.

O filme tem um humor negro muito escroto, além das óbvias cenas gore dos filmes de terror dos anos 80. O que faz deste filme diferente dos demais é o ritmo da história (não há muito tempo de respirar), o clima que o cenário carrega (a casa velha e a floresta ao redor), os cortes e os efeitos de câmera e, claro, o humor doente e ao mesmo tempo ingênuo. O áudio também é muito interessante, além dos closes. Há no filme erros risíveis de continuísmo, mas que entram na conta do Papa.

Recomendo para os que gostam do gênero e para quem quer relaxar.

Curiosidade: no Brasil, só é vendido pela 2001 Vídeo. Comprei o DVD, penas que a edição é de uma pobresa de dar pena (pena de mim, que comprei, claro): edição muito simples, sem nenhum extra e o pior: erros toscos de tradução. Na verdade, não acredito que sejam erros, acho que foi na má vontade mesmo. Nunca vi legenda pior que essa em toda minha vida.

3.5.10

O que resta do tempo

Estava pensando sobre o estado atual da crítica de cinema no Brasil. Antigamente, não só aqui, o crítico profissional era um estudioso, seus ensaios eram capazes de iluminar e escurer aspectos das obras. A história do cinema está cheia de críticos de grande vulto, além de cineastas que escreviam sobre cinema, portanto, críticos e teóricos também.

Só que, paulatinamente, a crítica de cinema começou a ser deslocada para outro tipo de profissional: o jornalista. Não que ser jornalista exclua as qualidades (ou defeitos) que o crítico antigo tinha, até porque, vários eram jornalistas, o problema é que a crítica foi ganhando um status de "notícia" e, depois disto, um status de "divertimento".

Quem abre, por exemplo, o jornal O GLOBO aqui no Rio, em busca de uma crítica, depara-se com o "bonequinho". Não é confiável. Nem estou falando de quem escreve, não conheço e nem quero, estou falando que, a partir do momento que a crítica está ligada à notícia e à diversão, vira mais um item de comércio. É o mesmo caso que atinge praticamente todo o jornalismo brasileiro, a busca da verdade fatual, por mais difícil que ela seja em um mundo real, deve pautar o jornal. No entanto, quem pauta são os anunciantes, são os interesses políticos, econômicos, ideológicos. Da mesma forma, tenta ver se algum filme da Globo Filmes recebe uma crítica ruim do jornal...

Com o avanço da internet, surgiu uma outra opção, ler críticas em páginas, blogs, geralmente feitas por cinéfilos.  Estas críticas, como as aqui feitas no equivocando, tendem a ter um enfoco mais pessoal, seus autores contam impressões, sensações, dados pinçados aqui e ali. Este tipo de crítica pode ser boa, pois não tem compromisso nenhum com qualquer coisa além de si mesma. Se diz o que se acha.


Ultradidatismo alemão (com legendas)

1

Pág.1: De onde você veio? É o que vamos explicar.
Pág.2: Papai (urso) e mamãe namoram.

2.5.10

O Demônio, Eu e Você


"I can't help being restless
When everything's so tasteless
And all the colours seem to have faded away"

Living Life - Daniel Johnston


Esse post era pra ser originalmente uma resenha ao documentário que vi recentemente, The Devil and Daniel Johnston (2005)

"Mas Praxedes, por que tu só falas de filmes atrasados? Por que não falas de uma bossas modernas, do hype?" me pergunta Sardaukar (nome verdadeiro, Mascarenhas) todo dia de seu birô ao lado do meu na repartição.

- Mascarenhas - digo eu com muita pachorra -, não escrevo, primeiro, porque tu não és meu patrão e, segundo, porque eu só escrevo sobre as coisas do coração.

Ao que ele me chama de 'viadinho' e vai tomar o décimo cafezinho do dia.

Brutalidades dos colegas de trabalho à parte, a história de Daniel Johnston me comoveu muito. Se você não tem um chinelo kenner velho no lugar do coração, leia mais a seguir.