4.3.10

Zack Snyder

watchmen-minutemenComprei 300, em blu-ray, porque já tinha locado e os extras são imperdíveis. Na verdade, esse é um dos pontos muito positivos dos discos em blu-ray, os extras são (ou estão, não sei se pra promover melhor a mída) muito bons, desburocráticos, em alta definição e – sim! – com legendas. Esse post, inclusive, era pra falar disso, mas posso falar nesse parágrafo ainda. Um dos extras imperdíveis desta edição é que você tem a opção de assistir ao filme e, ao mesmo tempo, em PIP (em uma janelinha que fica no canto inferior esquerdo da tela), assistir às cenas sem nenhum tratamento, seja de computação gráfica ou filtros – em tempo real mesmo, no cru (cru, ok?). Além disso, com os comentários do diretor! Melhor do que Mister M. no Fantástico!

Nos extras, há uma entrevista com [Deus nos céus e] Frank Miller [na Terra] e Zack Snyder, juntos. Depois do blablablá habitual e da rasgação de seda de costume, ao final, meio que em off, meio que combinado, Frank pergunta a Zack (santa intimidade, Batman!), depois deste reclamar dos estúdios, que, vez por outra, metia o dedo no suspiro dele:

- É, eu quero saber como vai fazer Watchmen (já começando a rir).

- Bem… … … com muito cuidado.

E é disso que eu vou falar. O filme 300 já é foda, a linguagem que ele adaptou para o cinema de um quadrinho difícil até de ler (ok, nem tanto) foi genial. De outro diretor, Sin City é um filme legal, mas pecou em pender mais pro lado da arte dos quadrinhos do que para o lado do cinema em si, inviabilizando uma continuidade, parecendo um experimentalismo estético. Foi o caso de The Spirit, que tentou repetir e que não funcionou.

Não sei se Zack Snyder está na blacklist de Sardaukar também, mas considero o cara muito competente. Consegue pegar o que há de melhor nas duas artes, cinema e quadrinhos, e fazer filmes muitíssimo divertidos. Um dos entrevistados nos extras falou bem: ele sabe captar e colocar na tela o que há entre um quadrinho e outro. Além disso, sabe capturar toda a plástica do desenhista original, além de ter um cuidado extremo com a paleta de cores utilizada na mídia original e no cinema.

Com relação a Watchmen, considero um filme fodástico (não, não achei termo melhor). A sequência inicial é perfeita, com a música de Bob Dylan ao fundo e, em poucos minutos, ambientando todo mundo na época e lugar os quais o filme vai transcorrer. Aquilo foi uma pusta sacada dugarái. E o cuidado com os detalhes é impressionante. O cara é um doente. Minha noiva comprou pra mim Watchmen – The Film Companion, que é um livro com centenas de fotografias dos atores, figurino, materiais utilizados no filme, algumas das cenas, etc. Nele se tem a dimensão do cuidado e até mesmo do grau do transtorno obsessivo compulsivo de Zack Snyder, que não deixou margem nenhuma para ninguém falar mais de Watchmen. Também ganhei de minha noiva o DVD do Contos do Cargueiro Negro (é, ela conhece meus gostos), que, na HQ, é uma revista dentro da história principal. Ainda não assisti a versão estendida de Watchmen, com os Contos do Cargueiro Negro dentro de Watchmen, mas assim que tiver oportunidade, verei. É incrível como Snyder trabalha, e trabalha muito bem. Vê-se um certo respeito e obsessão em narrar a história sem deixar escapar nada e ainda se comprometer a fazer cinema, mesmo que seja para entretenimento.

Um cara novo, com uma filmografia pequena ainda, mas muito competente. Assisti a Amanhecer dos Mortos bem antes de saber quem era o diretor do filme – e achei perfeito. Tudo bem que sou fã de filmes de zumbi, mas o filme é bom demais. Depois o cara veio com 300 e, ano passado, com Watchmen. 100% de aproveitamento. Para este ano, lá pra setembro, vai estrear Guardians of Ga'Hoole, uma animação adaptada de uma série de livros infantis. Para o ano que vem, Sucker Punch e Xerxes, segundo IMDB. Naturalmente vou assistir a todos, e Sardaukar também.

3 comentários:

  1. Eu não tenho, a priori, nada contra o zack snyder. Acho que ele fez trabalhos competentes... mas nenhum filme dele me fez sair do cinema dando saltinhos de gazela, feito você, meu lindo!
    Watchmen e 300 são "transcrições", apenas... mas são boas, e só.
    300 é aquilo mesmo.
    Watchmen... bem, copiar para outra mídia não é "realizar" na outra mídia... mas esta é uma discussão loooooooooonnnnnnnnnnnnnggggggggggggaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

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  2. "'Realizar' na outra mídia"? Mai tchesco! E eu sei da sua raivinha daqueles que fazem o mundo se divertir, hehehe.

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  3. Eu sou foda, porra!!! Comigo ninguém se diverte, só se for na cama e topar chicote (as you, my sweetheart!) :)

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